Cosméticos orgânicos, bio, naturais ou convencionais?

Você sabe qual a diferença entre cosméticos orgânicos, bio, naturais e convencionais?

Para ajudar o consumidor nessa diferenciação surgiram selos como o EcoCert (exterior), Instituto Biodinâmico – IBD (Brasil), USDA Organic (Estados Unidos) entre outros para dar mais confiabilidade aos cosméticos e regulamentar as matérias-primas usadas, estabelecer normas a serem seguidas, facilitar a diferenciação dos produtos naturais de produtos orgânicos etc.

A pele é o maior órgão do corpo humano. Tudo que colocamos nela é absorvido pelo nosso organismo. Por isso devemos prestar bastante atenção nos tipos de substâncias que decidimos deixar entrar em contato com ela.

Cosméticos Convencionais
Os cosméticos convencionais são aqueles que podemos comprar em farmácias, supermercados, lojas de cosméticos etc. São regulamentados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), mas não precisam de certificação ambiental. Podem conter ingredientes sintéticos, derivados do petróleo (silicones e óleos minerais), geneticamente modificados e podem ter sido testados em animais.

Exemplo de marcas: Nivea, Johnson&Johnson, L’oreal, Wella entre outras.

Cosméticos naturais
Os cosméticos naturais não devem conter substâncias químicas em sua composição. Para o IBD e para a Ecocert os cosméticos naturais devem possuir matérias-primas naturais e não podem conter as matérias-primas proibidas:

  • Corantes sintéticos;
  • Fragrâncias sintéticas;
  • Derivados do propileno;
  • Amônia;
  • Silicone;
  • Conservantes sintéticos;
  • Dietanolamidas;
  • Derivados do petróleo;
  • Geneticamente modificadas;
  • Testadas em animais;
  • Providas do sofrimento de animais.

A EcoCert, certificadora francesa atua em mais de 50 países, define que os cosméticos naturais podem ter no mínimo 95% do conteúdo total de matérias-primas naturais. Os outros 5% podem ser constituídos por substâncias sintéticas listadas pela certificadora, mas que não estão inseridas nas matérias-primas proibidas para cosméticos naturais.

Já para o IBD, empresa 100% brasileira que atua promovendo o equilíbrio entre a atividade econômica e a preservação da natureza, cosmético natural deve apresentar de 5% a 70% de ingredientes orgânicos, excluindo água e sal em seu cálculo.

Então para saber se o cosmético é natural, verifique a ausência dos ingredientes proibidos listados anteriormente. Se ele apresentar o selo IBD – Ingredientes Naturais ou o selo EcoCert, é mais um fator de confiança de que ele é realmente um cosmético natural.

Além dos cosméticos naturais comercializados, existem também os caseiros, feitos em casa ou por outras pessoas/marcas de maneira artesanal.

Exemplo de marcas: Bio Extratus, Vyvedas, The Body Shop, L’Occitane, Burt’s Bees, entre outras.

Cosméticos à base de produtos naturais
Se o cosmético contiver alguma das matérias-primas proibidas na lista acima e ainda assim anunciar em sua embalagem que é um cosmético natural, ele pode ser considerado um cosmético a base de produtos naturais.

Esses cosméticos podem ser comprados facilmente e são bem difundidos porque são produtos fabricados de modo convencional, mas que possuem em sua fórmula uma porcentagem de ingredientes naturais. Eles contêm as matérias-primas que são proibidas para os cosméticos naturais e uma ou outra matéria-prima permitida para produtos naturais. O problema destes cosméticos é que muitos são anunciados como 100% naturais configurando propaganda enganosa. Alguns podem até conter selos do IBD ou da Ecocert porque estão utilizando na composição do cosmético um ingrediente que é certificado, ou por ser natural ou por ser orgânico. Mas isso não confere ao cosmético a propriedade de ser natural.

Cosméticos orgânicos
Os cosméticos orgânicos não possuem matéria-prima sintética, derivados de petróleo ou produtos geneticamente modificados e testados em animais e são livres de agrotóxicos. Agridem menos a natureza ao longo da cadeia produtiva – os resíduos, por exemplo, são mais suaves que os da indústria tradicional e valorizam a vida das comunidades envolvidas na produção.

Segundo o IBD, existem os cosméticos orgânicos e os cosméticos feitos com matérias-primas orgânicas. Os cosméticos orgânicos devem possuir no mínimo, 95% de matérias-primas certificadas como orgânicas. Os 5% restantes podem ser compostos por água e por outras matérias-primas naturais. A Ecocert segue os mesmos princípios, mas os cosméticos feitos com matérias-primas orgânicas devem possuir no mínimo, 70% e, no máximo, 95% matérias-primas certificadas como orgânicas.

Essas matérias-primas certificadas orgânicas são naturais e baseadas nos métodos do sistema orgânico de produção, que procuram aperfeiçoar o uso de recursos naturais e socioeconômicos utilizando outros métodos alternativos ao uso de materiais sintéticos na cadeia produtiva.

*Atenção! Quando um cosmético é natural, ele não é necessariamente orgânico, porém quando um produto é orgânico ele será sempre natural. Um cosmético a base de produtos naturais não pode ser considerado natural. O cosmético orgânico possui maior porcentagem de matéria-prima orgânica do que o cosmético feito com matéria-prima orgânica.

Quer saber quais são as marcas orgânica confiáveis? No blog da Yumi, Projeto Beleza Saudável, ela fala sobre esse assunto com maestria.

Exemplo de marcas: Ikove, Alverde, Herbia, Weleda, Alva, Arte dos Aromas, Livealoe.

Reciclagem e descarte
Independente do tipo de cosmético escolhido, é muito importante atentar-se ao descarte desses produtos.

Os cosméticos a base de produtos naturais, por serem quase iguais aos cosméticos convencionais, não podem ser descartados no lixo comum (saiba o que fazer com cosméticos vencidos).

Já os cosméticos naturais, orgânicos e feitos com matérias-primas orgânicas são considerados biodegradáveis, e, portanto, podem ser descartados no lixo comum. É importante sempre ler o rótulo para saber qual o melhor destino final do produto e prestar atenção ao material da embalagem para fazer o descarte corretamente.

A diferença entre as certificações
Como já visto acima, EcoCert e IBD concordam nos itens sobre origem, obtenção e purificação das matérias-primas. Porém, interpretam de modo diferente a formulação dos produtos. A primeira considera água ao contabilizar as porções de ingredientes. Já o IBD não considera nem o sal nem a água, pois acha essa medida necessária parque essa seja uma forma de evitar que a porcentagem de produtos orgânicos seja aumentada de maneira indevida.

selos

EcoCert
Naturais: possuem um mínimo de 5% de ingredientes orgânicos;
Naturais e orgânicos: devem ter um mínimo de 95% de ingredientes naturais ou de origem vegetal e ao menos 10% de ingredientes certificados orgânicos.
IBD (não considera sal e água como ingredientes)
Orgânicos: devem ter pelo menos 95% de orgânicos;
Feitos com ingredientes ou matérias-primas orgânicas: são obrigados a ter ao menos 70% de orgânicos;
Naturais: têm, no máximo, 5% de orgânicos.

Outra diferença muito importante entre o IBD e a EcoCert é que a última utiliza o mesmo selo para certificar cosméticos orgânicos e cosméticos naturais, já o IBD usa selos diferentes. Vale destacar que tanto a EcoCert quanto o IBD proíbem vários conservantes sintéticos, porém a EcoCert aceita o fenoxietanol como conservante, o IBD não. Dentre os conservantes que o IBD aceita, destaca-se o benzoato de sódio e o benzoato de potássio.

Apesar de alguns conceitos interpretados de formas diferentes os dois órgãos concordam em alguns aspectos:

Ambos proíbem o uso de matérias primas que levem à morte ou causem danos aos animais, porém ambos autorizam o uso de matérias primas de origem animal (mel, por exemplo), desde que as mesmas não tragam prejuízos ao mesmo e desde que não haja substitutos.

Ambos concordam quanto à autorização de matérias primas minerais para uso cosmético, desde que o processo de obtenção não provoque danos ambientais.

Ambos proíbem todas as matérias primas obtidas por síntese (por exemplo: dois compostos que resultam em outro) que não tenham em sua composição nada de componentes químicos naturais.

Ambos proíbem os testes em animais para certificar a segurança e eficácia do produto cosmético.

Além dos selos da EcoCert e do IBD temos o selo USDA Organic, dado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos.
Quando um produto contém esse selo, significa que ou ele possui 100% de ingredientes orgânicos, ou contém pelo menos 95% de ingredientes orgânicos (assim como o IBD, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos não considera a água e o sal na contagem).

O USDA Organic certifica produtos que são produzidos em fazendas, como mel, abacate e outros alimentos. Ingredientes derivados de plantas e óleos essenciais não são regulamentados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos.

Outro selo que não tem tanto a ver com matérias primas usadas nos cosméticos, mas tem grande importância social é o selo Fair Trade. Quando um cosmético ou marca recebe essa certificação significa, dentre outras coisas, que aquele produto garante condições de trabalho justas na cadeia produtiva, preços dignos (que garantam o sustento dos agricultores envolvidos na produção), produção sustentável (proíbe estritamente o uso de organismos geneticamente modificados, promove sistemas agrícolas que melhorem a fertilidade do solo etc), desenvolvimento social. O IBD também possui um selo com conceitos parecidos, o IBD Social.

Parece complicado e difícil, mas é muito importante saber diferenciar os cosméticos e compreender os significados de cada selo para que possamos escolher produtos e marcas que se comprometam com os animais, com o meio ambiente, com nossa saúde e com os trabalhadores envolvidos no processo. Faça escolhas conscientes!

Fontes:
eCycle
EcoCert
Fair Trade
IBD
Lookaholic
USDA Organic

Foto cosméticos:  www.depoisdosquinze.com

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